quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O COVARDE

De repente você se dá conta de que alguém que você considerava um grande homem, que até minutos atrás se mostrava como um grande lutador, enfrentando de peito aberto os adversários com atitudes de intimidação e gestos intempestivos de grande coragem, na verdade não passa de um grande covarde que grita e esperneia, esbraveja, e que com movimentos descontrolados em sua luta levanta poeira para confundir o adversário, não passa de um grande perdedor. 

Seus gritos são ouvidos à distância e seus ataques amedrontam aqueles que esperam um grande lutador, mas quando a poeira abaixa a imagem do grande e invencível lutador aparece como um leão fraco e desdentado, assustado, que na tentativa de se esconder espalha poeira pelo ar. Entra em seu cubículo e fica a espreita de um ataque que não acontece e assim se julga vencedor. E seu adversário fica olhando do lado de fora, esperando pra continuar a luta, mas ninguém aparece, e pensando se tratar de uma estratégia,  aguarda, até que um dia,  cansado da espera, chama-o  para lutar e se depara com um leão cansado e aflito, perdido em seus devaneios, que corre pra lá e pra cá sem encontrar seu destino,  pois ele ficou pra traz, perdeu o momento de sua entrada triunfal no pódio dos campeões e não sabe mais quem é e que caminho tomar. 

Diante de tão cruel realidade entra novamente em seu cubículo e se esconde mais uma vez na esperança de ver seu caminho perdido retornar mais leve e pegar carona no carro da ilusão de vencedor.


O covarde não sabe que na verdade deixou um rastro fétido por onde passou e quando ele se decidir  enfrentar a luz da realidade, encontrará um caminho tortuoso e repleto de poeira adormecida que se levantará sob seus pés e o envolverá novamente nas lutas que ficaram à espera de um vencedor. O que ele fará então? Depois de tanto tempo, suas forças que já eram escassas, inexiste, mas  por força da lei ele tem de percorrer o caminho que ele próprio criou e se desfazer dos enganos enfrentando uma tempestade que cega mas que o obriga a chegar do outro lado, onde está o pódio em que ele deve subir. Diante dele estão todos os seus adversários prontos para encerrar o que ficou pendente.


Muitos estarão enraivecidos pela espera, e outros o olharão com desprezo porque reconhecem a incapacidade daquele leão cansado e aflito que deixou a vida passar sem sentir o seu verdadeiro sabor, que é vencer todas as lutas. Reconhecem um ser aflito que deixou de viver as belezas da vida, o amor,  e a glória de receber os louros de cada vitória.


O grande lutador que finalmente mostra sua real figura covarde é digno apenas de compaixão.


Como dói o meu coração ao descobrir que o leão altivo e feroz não passa de um pobre coitado que prefere não viver a enfrentar as verdades da vida.

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