quinta-feira, 4 de novembro de 2010

“Credulidade gera credulidade e termina em hipocrisia



A Busca da Sabedoria Requer Independência,
Espírito Crítico e uma Constante Experimentação
Carlos Cardoso Aveline



O caminho da verdade é estreito e difícil, segundo ensina o Jesus do Novo Testamento em Mateus, 7:13-14. Nisso, como em vários outros pontos, os evangelhos repetem e reforçam a antiga filosofia pitagórica.

Testes e ilusões à parte, não há qualquer satisfação pessoal maravilhosa à espera de quem pretende trilhar o caminho da verdade. Ao contrário. O caminho é probatório. Para avançar, cada um deve “tomar a sua cruz” (Mt 10:38).

Esta é a antiga lei da independência e do bom senso, e o Jesus do Novo Testamento a propõe também ao afirmar que os falsos profetas - e os falsos ensinamentos - serão conhecidos pelos seus frutos (Mt. 7:15). Isso não é tudo: vários séculos antes de Jesus, Gautama Buddha já ensinava:

“Escutem, Kalamas. Não se deixem desorientar por afirmações, por tradições ou por ouvir dizer. Não se desorientem pelo domínio das Coleções (de escrituras), nem por mera lógica ou inferência, nem pelo fato de considerar as diferentes razões, nem pela reflexão sobre alguma visão ou por sua aprovação, nem porque ela é conveniente, e tampouco porque o asceta (que a defende) é o seu instrutor. Mas quando vocês souberem por si mesmos que alguma coisa é censurada pelos inteligentes; que alguma coisa, quando realizada e levada à prática, conduz à perda e ao sofrimento - então a rejeitem.” [2]

Observando os efeitos práticos da pedagogia baseada em fenômenos extraordinários, crença automática e “canalizações”, o observador isento pode ver que uma tal “didática” produz preguiça mental, gera disputas de poder e provoca desânimo, entre outras formas de equívoco. Por outro lado, a pedagogia da filosofia esotérica – que coincide com a visão do educador Paulo Freire - é estimulante porque recomenda que o peregrino “agarre sua cruz” (isto é, assuma a responsabilidade por sua vida) e siga o caminho avançando por mérito e esforço próprios.

Frequentemente é a impaciência que leva à credulidade. A caminhada autêntica é de longo prazo e requer paciência. Cada intuição deve ser testada pela experimentação e pelo bom senso. As ilusões clarividentes e canalizadoras (“conversas com grandes seres”) são fogos de artifício brilhantes. O preço a pagar é a cegueira espiritual.

Vejamos, sobre tais “poderes psíquicos”, algumas situações concretas. Suponhamos, por exemplo, que alguém imagine que pode conversar com Mahatma Gandhi.

Naturalmente, conversar com Gandhi é viável no plano não-literal e arquetípico. É possível dialogar com a idéia sutil de Gandhi que está presente em nosso subconsciente, e, até certo ponto, com a presença do líder indiano registrada na memória coletiva da humanidade, no akasha ou luz astral. Porém, apenas a ausência de uma compreensão minimamente razoável dos processos da reencarnação permitiria imaginar que a alma de Mohandas Gandhi esteja ainda hoje nos níveis inferiores de consciência, e seja capaz de ter contato “personalizado”, literal e verbal com alguém. Por maior que seja a satisfação de conversar pessoalmente com esse grande pacifista - ou com outros pensadores da história da humanidade - só um ingênuo destituído de bom senso pode pensar que cenas desse tipo sejam literalmente reais.

1. Sonhos, Pós-morte e Vigília.

Sobre contatos com mortos, é bom lembrar um ponto básico. Salvo exceções, que qualquer alma que tenha estado em contato mais estreito com a inteligência espiritual alcança a consciência divina pouco tempo depois da morte física, abandonando toda noção de nome pessoal, identidade separada e outras funções exclusivas do plano físico e do eu inferior. Eventuais contatos, pouco frequentes, terão de ocorrer nos planos superiores de consciência, que transcendem a separatividade pessoal. Também é uma ilusão a idéia de que alguém, no pós-morte, possa fazer opções, trocar ideias verbalmente e no plano tridimensional, ou ter uma consciência semelhante à consciência cerebral do estado de vigília.

A consciência no pós-morte não possui o sentido de identidade - ahamkara, em sânscrito, a noção de eu - que é típica do plano físico e dos cinco sentidos. A consciência posterior à morte é de certo modo semelhante à consciência dos sonhos, onde, como se sabe, o “eu” pode assumir formas diferentes e até a aparência de árvores, de animais, de santos, mestres, e assim por diante. A psicologia indica, corretamente, que tudo e todos que aparecem em um sonho fazem parte de nós e simbolizam outras caras do nosso “eu”. Só isso é suficiente para mostrar que no estado de sonhos o sentido de identidade firme ou separada desaparece. Você pensa em Gandhi e Gandhi aparece: se você admirar muito Gandhi, você talvez passe a ser Gandhi no sonho.

Há, pois, nos sonhos, uma des-identificação, uma soltura da noção de um “eu” estável. Esta é uma característica da consciência que não está presa a um corpo físico. A des-identificação ou despersonalização é naturalmente muito maior no pós-morte do que no sonho, e isso por motivos facilmente compreensíveis. Vejamos dois deles.

1) No sono, o “cordão” que liga a alma mortal ao corpo físico não é cortado, mas apenas parcialmente desativado. Impressões corporais provocadas por estômago cheio, bexiga cheia ou posição desconfortável interferirão no conteúdo dos sonhos. No pós-morte, em compensação, a perda de contato com o corpo é total.

2) No sono, o afastamento do corpo dura poucas horas. Grande parte das pessoas levanta para ir ao banheiro no meio da noite, abrindo em meio ao sono um intervalo de vigília e contato com o corpo denso. No pós-morte, o afastamento é definitivo.

No pós-morte já não existe um “eu” que use livre-arbítrio, que crie carma novo, que tome decisões e viva em estado de vigília. Há apenas uma resultante energética final, automática e natural, que é a grande colheita cármica da vida que passou. Essa resultante energética deve ser deixada em paz para que possa elevar-se - sem sofrer interferências vibratórias indevidas - em direção às vibrações celestiais. Assim ela se libertará dos planos de realidade ilusória em que predominam as personalidades.

Examinemos então o que pode ocorrer no caso de um iogue avançado que já em vida tinha graus ampliados de consciência durante o sono, e que também podia afastar-se em pensamento de um local mesmo quando estava em um estado próximo à situação de vigília, como em meditação.

Para um tal indivíduo, a morte já não é a mesma coisa que para a pessoa média. Porém, exatamente por ser avançado, ele não irá ficar qualquer tempo considerável na esfera terrestre, durante seu pós-morte. Ele passa a ser a força-resultante da encarnação que terminou. Tal força aponta muito mais fortemente para o alto e para o celestial do que a força-resultante do cidadão comum.

Assim, é uma blasfêmia inconsciente e involuntária pensar que a alma imortal de um Mohandas Gandhi não teria nada a fazer exceto ficar próximo da terra física densa e dizer algumas banalidades espirituais para esta ou aquela pessoa, detendo sua poderosa marcha evolutiva para contrariar a lei sagrada e “aparecer” em rodas de amigos e distrai-los da sua própria tarefa sagrada, que é, naturalmente, entrar em contato maior e mais lúcido, no plano individual, com seus eus superiores.

O Brasil é um país em grande parte cristão e há aqui gente bem intencionada que supõe ter conversas assíduas com Francisco de Assis (1182-1226). Este é outro exemplo de fantasia desinformada. Quase oito séculos após largar seu corpo físico, Francisco ainda não teria se elevado aos planos celestiais de consciência?

A única possibilidade de que ele não esteja hoje no Devachan - o “local dos deuses”, a “terra sem males” ou “paraíso” individual que ocorre entre duas encarnações - é que ele seja um daqueles discípulos da Sabedoria Divina que conhecem e vivenciam o estado de consciência equivalente ao Devachan em plena vida física, e por isso são capazes de deixar de lado o Devachan após a morte para, em sua ânsia sacrificial de ajudar a humanidade, reencarnar rapidamente.

O Devachan é um longo estado de bem-aventurança obrigatória entre uma vida e outra. Mas ele pode tornar-se menos necessário quando o estado de consciência que lhe corresponde (um êxtase contínuo de felicidade e elevação divina) é alcançado em plena vida. Se for esse o caso, Francisco já terá tido tempo de encarnar outra vez (com outro corpo, outro nome, outra vida) e também de desencarnar de novo, nesses quase oito séculos. Nessa eventualidade, naturalmente, sua alma já não pode identificar-se com a velha figura de Francisco de Assis.

Alguns canalizadores atuais de Francisco encaram as práticas espirituais como meio de obter dinheiro. Por isso vale a pena também mencionar a doutrina franciscana em relação à moeda. Francisco era rigoroso em relação a questões éticas e disciplinares. Ele foi um anti-capitalista da idade média. A sua postura em relação ao dinheiro não pode ser adotada literalmente nas circunstâncias da moderna civilização ocidental. Hoje a influência do dinheiro sobre todas as esferas da sociedade é imensamente maior que naquela época. Mas a posição franciscana clássica é útil e nos dá o que pensar. Ela revela a necessidade de uma seriedade e uma ética absolutas nas questões que envolvem dinheiro. A regra da ordem dos frades menores, versão original, afirma:

“Mando severamente a todos os irmãos que de modo algum recebam dinheiro de qualquer espécie nem por si nem por pessoa intermediária” (Item 4).

Os itens 5 e 6 da mesma Regra dizem:

“Os Irmãos, aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem com fidelidade e devoção, de maneira que afugentem o ócio, inimigo da alma, e não percam o espírito de oração e piedade, ao qual devem servir todas as coisas temporais. Quanto à paga do trabalho, recebam o que for necessário ao corpo, para si e seus irmãos, exceto dinheiro de qualquer espécie; e isto façam com humildade como convém a servos de Deus e seguidores da mais santa pobreza. Os irmãos não tenham propriedade sobre coisa alguma, nem sobre casa, nem lugar, nem outra coisa qualquer, mas, como peregrinos e viandantes, que neste mundo servem ao Senhor em pobreza e humildade, peçam esmolas com confiança (...)”. [3]

Os monges mendicantes optam por viver pobremente e são uma tradição do budismo e do cristianismo clássicos. Da postura franciscana original, permanece o mais importante, isto é: o desapego e o rigor em relação às questões materiais, o cumprimento das obrigações, o autocontrole, o despojamento, o voltar-se inteiramente para as questões de conteúdo e de vivência da sabedoria. Francisco recomendava a seus seguidores que considerassem o dinheiro como excremento e, certa vez, castigou um frade por haver tocado em uma moeda [4].

2. O Diálogo Interior Não-Literal.

É verdade, que no plano imaginário, pode ser inspirador “dialogar” não-verbalmente com grandes pensadores e líderes humanitários tal como existem nas imagens deles introjetadas em nossa consciência, ou em nosso inconsciente e na memória coletiva.

Este “diálogo” pode ter como base verbal as obras e escritos deixados por tais pensadores. Vinte e oito diálogos deste tipo, todos bibliograficamente documentados, estão reunidos, por exemplo, no livro “Conversas na Biblioteca”[5]. Assim, o padrão vibratório deixado por São Francisco entre os humanos está disponível para os aspirantes ao caminho da verdade através dos seus escritos e dos testemunhos sobre ele, embora grande parte destes testemunhos sejam mais lendários do que documentais. É possível interagir desta forma racional com o pensamento de João da Cruz, Ramana Maharshi, Paul Brunton e inúmeros outros bons pensadores cujas obras chegaram até nós. Podemos fazer desse diálogo através do tempo um processo vivo sem a pesada carga ilusória da crença de estar conversando literalmente com uma pessoa que não existe mais.

A verdade é que todo ser humano interage ou “dialoga” em seu mundo interior não só com os autores que lê, mas também com a representação em seu mundo interior das pessoas que são importantes para si, estejam elas vivas ou não. Esta representação é alimentada pela presença sutil que um autor, escritor ou líder deixa como herança no mundo astral da comunidade humana na forma de skandhas, ou registros cármicos. Os skandhas podem ser ativados através das chaves da palavra escrita, das memórias e dos testemunhos. Mas uma coisa são os skandhas ou registros. Outra coisa é a alma imortal que deixou esses registros. A alma seguiu viagem: ela está em outra dimensão bastante superior. Pretender arrrastá-la para baixo não ajuda a ninguém e atrapalha a evolução e a aprendizagem de todos.

3. Exame de Alguns Argumentos Contrários

É saudável testar a solidez da tese colocada acima. Examinemos rapidamente três argumentos contrários à ideia de que pretender conversar literalmente com alguma divindade ou com grandes seres é uma forma pior que inútil de auto-ilusão.

A) Francisco de Assis conversava mentalmente, em meditação, com Deus e com Cristo. [6]

É verdade. Porém, nas conversas de Francisco e outros místicos clássicos com as figuras de Deus e de Jesus (símbolos do eu superior), o místico autêntico raramente ouve palavras elogiosas. Ao contrário. As figuras de Deus e Cristo no mundo interno de Francisco sempre interferem para aumentar o grau de rigor na caminhada. Isso é um bom critério para julgar experiências extrasensoriais. Se elas trouxerem mais austeridade e mais humildade, pelo menos saberemos que não são formas embelezadas pelas quais a velha preguiça e a vaidade se impõem disfarçadamente ao aprendiz.

Por outro lado, é preciso levar em conta que no tempo de Francisco o cristianismo passava por um momento de extrema precariedade conceitual e filosófica. Não havia qualquer possibilidade de um treinamento místico sobre bases mais elaboradas e cientificas, como ocorreu, embora de modo ainda muito limitado, a partir do século 15 e no período da Renascença. Francisco conversava com Jesus nos termos do cristianismo popular, em que alguém troca ideias livremente tanto com Jesus como com Maria ou São Judas Tadeu, nos termos do Diálogo Interior Não-Literal mencionado acima. Nesse caso, a figura do Mestre ou de Deus, com quem se conversa, funciona como um espelho flexível das potencialidades do eu superior do devoto, sem as complicações da “canalização” ou da mediunidade.

B) Sócrates, o filósofo, seguia um daimon, ou espírito.

Correto. Mas está aí um episódio pouco compreendido da história. Sócrates não era um títere mediúnico de algum “espírito”. Segundo as informações disponíveis, pode-se concluir que esse daimon, gênio espírito era o próprio eu superior de Sócrates. É indiscutível que Sócrates vivia e defendia a pedagogia do diálogo, e que ele usava o método racional de busca da sabedoria. Sócrates acreditava na independência intelectual e na responsabilidade cármica de cada indivíduo. A idéia de que o daimon de Sócrates fosse o seu próprio eu superior é fortalecida - entre outros indícios - por uma passagem de Marco Aurélio segundo a qual todos temos um espírito imortal encerrado em nosso peito. Essa era uma concepção mais ou menos estabelecida em todo o mundo clássico, desde os tempos de Sócrates. Marco Aurélio, o imperador-filósofo do mundo romano, escreveu:

“Vive com os deuses quem mostra constantemente a eles que sua alma está satisfeita com o que lhe foi aquinhoado e que sua alma satisfaz todos os desejos do Gênio que Zeus deu a cada homem para seu guardião e guia, uma parcela dele mesmo. E este Gênio é o espírito e a razão de cada um.” [7]

Gênio, ou Daimon, são diferentes palavras para espírito, eu superior, alma imortal ou ainda anjo da guarda.

C) H. P. Blavatsky conversava telepaticamente com Adeptos ou Rishis.

Helena P. Blavatsky era uma discípula avançada e tinha a capacidade de conversar literalmente por telepatia com Mahatmas e Raja-Iogues vivos (e não “espíritos” de mortos) devido a uma circunstância especial e concreta. Ela viveu alguns anos nos ashrams de grandes Iogues dos Himalaias e foi treinada diretamente por eles. Ela tinha um contato magnético amplo com os Mestres. Mas HPB foi uma exceção. Quase toda regra tem exceções que a confirmam. Apesar do uso da telepatia, a obra de Blavatsky deve ser julgada pelos frutos e pela sua qualidade intrínseca, e não pelos poderes psíquicos que sua autora usava. Helena Blavatsky deu início ao processo de intercâmbio espiritual ativo entre Oriente e Ocidente. Ela criou a filosofia esotérica e o movimento teosófico. Seu trabalho está na origem da filosofia espiritualista.

Cabe registrar também que a conversa com pessoas mortas não consta em nenhum dos três argumentos acima. Eliphas Levi, que estava ligado à tradição esotérica mais autêntica, fez a esse respeito uma experiência desastrosa de evocar o espírito de Apolônio de Tyana. Recebeu uma advertência solene e temível, segundo ele mesmo contou.

A filosofia esotérica original propõe uma visão de mundo sóbria, ampla, apoiada no rigor científico da Raja Ioga. Trata-se de trabalhar a questão esotérica a partir de um ponto de vista que combina a pesquisa experimental com o estudo e a vivência das grandes verdades universais. Estes fatores levam ao despertar natural da intuição superior, e quando a intuição superior existe espontaneamente, o que é raro, ela só ganha bom senso ao combinar-se com estes fatores.

Uma pesquisa avançada é a busca e a descoberta, parcial mas crescente, de uma sabedoria eterna universal e comum a diferentes sábios e servidores da humanidade. Tal sabedoria é interdisciplinar. Ela é inter-religiosa, intercultural, filosófica, intuitiva. Ela usa palavras mas não fica presa a elas. Ela pode ser mencionada por muitos nomes. Ela se caracteriza por colocar como questão central a conexão entre a alma mortal e a alma imortal do indivíduo, e a ponte entre a alma humana e o princípio absoluto do todo universal e divino.

Exclui-se desta equação, porém, qualquer figura imaginária de algum deus monoteísta, capaz supostamente de manipular as vidas dos indivíduos, favorecendo os que lhe fazem pedidos especiais ou oferendas pessoais, e ignorando o bom senso, a justiça ou a lei da causa e efeito.

A pedagogia proposta pela filosofia esotérica desloca para fora do campo de aprendizagem coisas como crença, ritual, posição social, busca de comodidade e apegos de ordem pessoal. Alguns poucos nomes entre tais sábios são H. P. Blavatsky, William Judge, Paul Brunton, Robert Crosbie e Sri Ramana Maharshi.

João da Cruz, entre outros, escreveu admiravelmente sobre a necessidade de renunciar a quaisquer visões maravilhosas, dons especiais e fatos extraordinários.

Na mesma linha estão os ensinamentos dos grandes filósofos clássicos; entre eles, Pitágoras, Platão, Epicteto, Sêneca, Cícero, Marco Aurélio, Musônio Rufo. No Oriente, temos Buddha, Lao-tzu, Krishna e tantos outros. Todos estão ligados de uma ou de outra forma à grande escola esotérica ou de almas que inspira corações e mentes da nossa humanidade através de um esquema de trabalho bastante constante e estável nos últimos 2500 anos, e cuja presença um pesquisador atento detecta com facilidade ao percorrer as páginas da história.

Os sábios e filósofos clássicos recomendam abandonar o uso de poderes psíquicos e apontam para o caminho que combina, paradoxalmente, austeridade (tapas, em sânscrito) com êxtase (samadhi, nirvana, satori).

O nome cristão de tapas é “penitência”, e não se refere apenas a uma austeridade física, mas também emocional e mental.

4. A Pedagogia do Bom Senso.

Assim, o ponto de vista clássico e realista é aquele que aponta para o “caminho estreito”, a “porta estreita” de Mt 7: 13-14, e não para a porta larga da busca da satisfação pessoal, mesmo quando esta última se caracteriza - do ponto de vista decorativo e de marketing - como espiritualizada.

Há três perguntas e respostas que ajudam a definir o caminho pedagogicamente autêntico:

1) A quem pertence o conhecimento?

Ele não é propriedade particular de ninguém nem pode ser tratado como algo sujeito a compra e venda. Ele pertence ao Universo e a todos os seres. Seria mais correto vender o ar que se respira e o vento das montanhas, do que o conhecimento sagrado.

2) Devemos aceitar e tolerar, em nós mesmos e nos outros, demonstrações expressas de vaidade, orgulho e manipulação de poder?

A resposta é negativa. O orgulhoso pensa que pode roubar o conhecimento do universo, mas está enganado. O orgulhoso é nosso irmão: devemos querer o bem dele. Nosso dever é ajudá-lo evitando produzir qualquer elemento que reforce a sua marcha insensata no caminho da auto-ilusão.

3) O que nos dá direito de participar do conhecimento?

O que nos dá esse direito é colocar sinceramente os nossos limitados conhecimentos a serviço do Todo e de todos os seres.

O esquema epistemológico e didático-pedagógico sugerido acima situa as relações humanas em um patamar impessoal e não ilusório. Ele propõe um aprofundamento da nossa filosofia de vida. Ele ensina a pensar e a decidir com autonomia em relação a tudo, inclusive em relação aos nossos reais objetivos para a atual encarnação. Ele ajuda a buscar a criação de espaços coletivos de exercício de carma ioga, ou ação altruísta, que sirvam como pólos de transformação para melhor, na sociedade que nos rodeia.

As filosofias clássica e esotérica recomendam que o aprendiz examine constantemente o que é ética para ele, e observe sempre como funciona a relação direta entre a busca da verdade e o seu sentimento de dever para com os outros seres. A ética, no entanto, não é uma acomodação a autoridades ou a rotinas sociais. A essência da Ética - inclusive na filosofia kantiana - está na Regra de Ouro do Novo Testamento. Este preceito é na verdade pelo menos seiscentos anos mais antigo que o cristianismo, e já era ensinado por Pitágoras no Ocidente e por Confúcio no Oriente. Mas os compiladores do cristianismo primitivo tiveram o bom senso de incluí-lo nos evangelhos, que dizem:

“Tudo aquilo que vocês quiserem que os homens lhes façam, façam vocês a eles, porque essa é a Lei” (Mt 7:12).

Aqui está a boa, generosa e onipresente lei do carma. Ela ensina que sempre colhemos o que plantamos, e que por isso é necessário aprender a plantar, agindo com o máximo de consciência possível em relação ao que estamos fazendo e em relação às consequências que virão depois - inclusive em vidas futuras.


NOTAS:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por Jinarajadasa, Ed. Teosófica, Brasília, 1996, 296 pp., ver p. 106.

[2] “The Wisdom of Buddhism”, edited by Christmas Humphreys, Curson-Humanities, London, 1987, 280 pp., ver p. 71.

[3] “São Francisco de Assis, Escritos e Biografias, Crônicas e Outros Testemunhos do Primeiro Século Franciscano”, Ed. Vozes, RJ, 1372 pp., ver pp. 134-135.

[4] “São Francisco de Assis, Escritos e Biografias....”, obra citada, pp. 862-863. .

[5] “Conversas na Biblioteca”, Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, SC, 2007. Um dos capítulos do livro é um diálogo com os escritos de Francisco de Assis e com os ensinamentos atribuídos a ele.

[6] Veja-se, p. ex., p. 842 de “São Francisco de Assis, Escritos e Biografias....”, obra citada.

[7] Ver “Meditações”, Marco Aurélio, Ediouro, Tecnoprint S.A. , Livro V, item 27, p. 61.


O texto acima foi publicado inicialmente na revista budista independente “Bodigaya” (www.bodigaya.com.br), na edição número 22, ano 14, de 2010.

Visite sempre www.filosofiaesoterica.com e www.teosofiaoriginal.com.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Esquecendo o eu



Na Cabala e em outras tradições espirituais, a meta do místico de encarnar as virtudes de Deus é por vezes denominada “esquecer o eu”. Esquecer o eu significa esquecer o eu inferior, o eu humano. Significa esvaziarmo-nos para abrir espaço para Deus.

Esquecer o eu é a suprema expressão de humildade. O membro da escola hassídica do século XVIII, Hasid Issachar Ber de Zlotshov, diz que a humildade é a meta de todas as práticas espirituais:

“A essência da adoração a Deus e a todos os mitzvot [mandamentos] é alcançar o estado de humildade, nomeadamente... compreender que todos os nossos poderes físicos e mentais e o nosso ser essencial são dependentes dos elementos divinos do interior. A pessoa é apenas um canal para os atributos divinos. Consegue-se alcançar essa humildade pela admiração da imensidão de Deus pelo entendimento de que “não existe lugar onde Ele não esteja”.

O líder hassídico Bov Baer ensinou o seguinte: “Pensai em vós como ayin [nada] e esquecei-vos de vós totalmente... Se pensardes em vós como alguma coisa, então Deus não vos pode revestir, pois Deus é infinito. Nenhum receptáculo pode conter Deus, a menos que penseis em vós como ayin.

Outro escritor hassídico usa uma linguagem semelhante para descrever o professor inspirado:
Aquele que prega em prol do céu deve considerar que o intelecto e o sermão não são seus; em outras palavras, ele está tão morto como um cadáver pisoteado, e tudo vem de Deus, abençoado seja o Seu nome... Deus está colocando na sua mente as palavras e a mensagem moral que ele está transmitindo à congregação; de modo que cada palavra deveria ser como um fogo ardente, e ele deveria sentir-se compelido a proferi-las todas. De outro modo, ele é como um profeta que suprime a sua profecia.

O mesmo princípio de ser um canal para o divino aplica-se aos que oram. Daniel Matt diz que os hassídicos ensinam que “o único papel ativo do místico é a decisão de orar e o esforço de manter a clareza essencial para transmitir energia divina”. O místico permite-se ser o instrumento e Deus faz o resto. Numa obra hassídica, podemos ler o seguinte:

Aquele que merece este nível [de ser um instrumento para a transmissão da energia divina] nada mais é que um instrumento por intermédio de quem estão sendo conduzidas palavras do alto. Esta pessoa apenas abre a boca... A condição essencial para a oração é estar limpo de toda impureza, para que a voz do alto não seja corporificada na sua voz. Todos podem merecer este nível... Sua voz é, por assim dizer, a voz da Shekhinah; eles são apenas instrumentos.

“Num tal estado” explica Matt, “o assunto e o objeto da oração são o mesmo. Adora-se Deus com Deus. Deus torna-se como um sumo sacerdote, servindo a Si mesmo por meio da oração humana” Dov Baer explica tudo quando diz: “Seja o que for que façamos, é Deus que o está fazendo”.

Outros místicos das religiões mundiais falam sobre esquecer o eu. Os taoístas, por exemplo, usam a frase “esquecer o eu” ou “perder o eu” para descrever o processo de perder o sentido do eu que está separado do Tao, da Realidade Suprema. Eles dizem que “perder o eu” não significa eliminar a nossa identidade; mas impedir que o eu inferior se interponha ao Tao.

O poeta sufi Rumi descreve o processo de esquecer o eu como o abandono do eu inferior. O autodespojamento, diz ele, é um requisito para a ascensão mística a Deus:

Até ser aniquilada, nenhuma alma

É admitida na sala divina da audiência.
O que é a ‘ascensão’ ao céu?
A aniquilação do eu;
O abandono do eu é o credo e a religião dos amantes
.

Jesus também passou pelo mesmo processo de esquecer o eu e tornar-se um cálice para Deus, ao dizer:

“Meu pai trabalha até agora, e eu trabalho também...
...o Filho, por si mesmo, não pode fazer coisa alguma, se não vier o Pai fazê-lo...
Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.
Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim é quem faz as obras.”

Jesus ensinou à santa do século XIV, Catarina de Sena, que o segredo de desenvolver um relacionamento íntimo e místico com Deus era, mais uma vez, esquecer o eu __ tornar-se, como Dov Baer diz, “nada”. Um dia Jesus apareceu a Catarina enquanto ela rezava e disse:

Sabes filha, quem tu és e quem eu sou? Se soubesses estas duas coisas, serias abençoada. Tu és aquilo que não é; Eu sou Aquele que é. Se tiveres este conhecimento na tua alma, o inimigo nunca poderá enganar-te; escaparás de todas as suas armadilhas; nunca consentirás em nada que seja contrário aos meus mandamentos e, sem dificuldade, adquirirás todas as graças, todas as verdades, toda a luz.”

“Com essa lição Catarina tornou-se fundamentalmente erudita”, escreve o seu biógrafo Igino Giordani. “Tinha a sua fundação sobre uma rocha; já não havia mais sombras. Eu, nada; Deus, Tudo. Eu, o não ser; Deus, o Ser.”

Esquecer o nosso eu através da humildade suprema é a essência da senda do místico. É o que permitiu inspirar os antigos profetas com tremendo poder ao transmitirem as mensagens de Deus no “Espírito do SENHOR”. É o que conferiu poder a Catarina de Sena para mudar o curso da Igreja, e a líderes como Gandhi para mudar o curso da história. E é aquilo que nos pode dar poder para mudar o mundo.

Ralph Waldo Emerson, a quem o autor Thomas Moore devidamente classifica como “uma das grandes almas mestras da nossa história americana”, descreve esta concessão de poder em termos do ilimitado poder de Deus que literalmente passa por nós. O espírito do misticismo e da Cabala permeia esta passagem do seu ensaio Natureza:

[O espírito] não atua sobre nós a partir do exterior... mas, espiritualmente ou através de nós mesmos; portanto, esse espírito, ou seja, o Ser Supremo, não acumula natureza à nossa volta, mas fá-la surgir através de nós, tal como a vida da árvore gera novos ramos e folhas através dos antigos. Tal como uma planta na terra, também o homem repousa no seio de Deus; ele é alimentado por fontes infalíveis e recebe poder inesgotável de acordo com a sua necessidade.

Quem pode estabelecer limites às possibilidades do homem?... O homem tem acesso a toda a mente do Criador, e é ele mesmo o criador do finito.

Em termos cabalísticos, Emerson está dizendo que somos nutridos pela luz de Ein Sof que flui através das infalíveis fontes das sefirot. E podemos realmente retirar delas um poder inesgotável quando “esquecemos” a nós mesmos, quando nos esvaziamos e deixamos entrar Deus.

O processo de esquecer o eu __ de esvaziamento para ser preenchido com os atributos e energia de Deus __ processa-se passo a passo, dia a dia. Num certo ponto, descobrimos que Deus é tanto uma parte de nós que é ele quem está pensando, sentindo, falando, trabalhando, amando, cuidando e confortando através de nós. É nesse momento que a senda do místico atinge a sua expressão mais elevada e mais prática, pois quando somos um só com Deus trazemos verdadeiramente o céu à Terra.

Fonte: Texto extraído do livro “Cabala – O Caminho da Sabedoria de Elizabeth C.Prophet

domingo, 24 de outubro de 2010

América, Despertai em nome da Liberdade!


Salve, Guardiães da Chama!

Venho na chama violeta que é a fonte da liberdade para toda a humanidade! Se apenas os homens pudessem penetrar a fonte de luz em vez das bolsas de trevas criadas por eles, encontrariam a salvação; encontrariam a saída.

Todas as coisas começam com luz, e todas as coisas têm de um dia retornar à Luz. A pergunta é: manter-se-á a individualidade do homem quando do seu retorno ou será ele dissolvido, e as suas obras com ele?

EU SOU o grande expoente da individualidade da liberdade no homem, do livre-arbítrio individual da humanidade. E, no entanto, digo que o dom do livre-arbítrio que vem de Deus não estava destinado a ser abusado, pois a vocação e a eleição dos homens são consolidadas somente quando usam o seu livre-arbítrio para escolher fazer a vontade de Deus.

A luz de Deus nunca falha! Se acreditarmos nisso, então como podeis falhar quando alinhais as vossas energias com a luz de Deus? Simples lógica, mas a lógica que é esquecida quando a condenação do Mentiroso está sobre vós. Venho para proclamar o dia em que a tolerância do mentiroso e da sua mentira não estiver mais em voga. E encarrego-vos, como Guardiães da Chama, de desafiar a mentira pelo poder da Palavra Falada onde quer que a mentira se encontre; pois somente assim podem as espirais do mal serem detidas em escala mundial.

Chamai-me Saint Germain. Esse é o meu nome; e EU SOU o santo irmão que fundou a América, patrocinou a sua constituição, o seu governo, o seu povo e a chama da Mãe Divina no meio dela. Esta é a sua hora; e é a vossa hora, preciosos corações. É a hora em que a luz triunfará, se determinardes. É a luz que triunfará porque esta é a hora para a qual evoluístes _ todos vós. Esta é a hora pela qual tendes esperado. Por milhares de anos tendes lutado e preparado-vos para ela, quando a luz derrotará as trevas dentro de vós e dentro do corpo planetário.

E assim digo, ó planeta Terra, esta é a vossa deixa! Entrai no palco cósmico e desempenhai o vosso papel, e desempenhai-o bem! Pois, ao triunfardes neste grande drama da vida, ó Terra, também o sistema solar será elevado mais um degrau na hierarquia cósmica e sobre a escada da vida. O próprio Senhor Deus é o grande dramaturgo e o maior teatrólogo de todos os tempos. Ele concebeu da luz e das facetas da luz e fases da luz, providenciando o cenário sobre o qual a humanidade pudesse avançar para representar no ato final - aquela peça onde a luz triunfa sobre todas as formas das trevas.

Sabeis de uma coisa? Vou dizer-vos neste dia que tendes a melhor preparação, graças às hostes ascensas da luz e aos vossos Mensageiros, do que qualquer grupo de devotos em todo o corpo planetário. Tendes a melhor preparação, o melhor treinamento, o melhor conhecimento e os melhores livros - não apenas do presente momento, como também de todos os tempos que já houveram.

Nada foi escondido de vós, pois estive perante os Senhores do Carma e defendi a vossa causa, para que a dispensação pudesse ser dada a esta mensageira para revelar-vos, nesta reunião de trabalho dos Guardiães da Chama, o que foi revelado hoje. E tivemos de deliberar se tudo devia ser revelado ou não. E disse, perante os Senhores do carma: "Estas são a nossa melhor esperança e a nossa mais elevada oferta. Eles deram tudo de si; temos de lhes dar tudo de nós." O Conselho do Carma votou e a resposta foi unânime: "Que a Mãe comunique a sabedoria sagrada e que os Guardiães da Chama sejam plenamente informados."

E assim, preciosos corações, desejo também dizer, como disse antes e como alertei, que as economias do mundo encontram-se em grande perigo.

...Não confieis a substância que Deus colocou no vosso cuidado a outros indivíduos cujas energias estão alinhadas com as trevas. Alguns de vós viveram durante a Bancarrota de 1929 e sabem que os bancos estavam fechados. Digo, isso foi uma manipulação deliberada pelas forças das trevas! Não era necessário - não, nem um pouquinho. Nunca houve qualquer necessidade de uma depressão na América, a não ser por uma razão - que a América devia despertar e voltar-se para servir ao Senhor Deus! Pois os ratos tinham devorado os celeiros da América, e o povo nada fez; e, portanto, sofreu o carma da sua negligência. A destruição da abundância de uma nação é o demolir da consciência abundante da Mãe. E assim os próprios órgãos vitais do corpo da Mãe estão sendo atacados neste dia...

Em muitos casos, os filhos de Mamon são mais prudentes na sua geração que os filhos da luz. Os filhos da luz confiam naqueles que não deviam confiar - os opressores, os malignos em altas posições, os maneirismos suaves e os sorriso falsos, cheios de dentes, daqueles que vêm do poço das trevas e elevam-se ao poder no governo porque os filhos da luz não vão adiante nem se candidatam.

A América é uma república! E estava destinada a ser governada por aqueles que alcançaram a Consciência Crística, e não a Consciência Luciférica!...

E, então, que direi eu dos anjos vestidos de branco que carregam o estandarte da liberdade, o estandarte da chama violeta, e que marcham por toda a Terra, norte, sul, leste, oeste? Que direi eu das hostes do Senhor acampadas nas encostas dos montes do mundo? Estamos prontos! Estamos prontos para a vitória! A pergunta é: estais prontos?

Parece que a América está adormecida. E, portanto, digo neste dia: América, desperta! Desperta em nome da liberdade! Desperta em nome de Sanat Kumara! Desperta em nome da mestra Vênus!

Estou aqui perante vós como o Cavaleiro Comendador, e elevo a minha espada ao nível físico, ao nível do plano astral, ao nível do cinturão mental do plano etérico. E tomo esta poderosa espada e digo:

"Oh, Senhor Deus, ó poderosos Elohim, separai o real do irreal e que a separação do trigo e do joio ocorra neste dia! Que o raio seja lançado do coração de Deus! Que ele seja liberado nesta hora! Pois, pela autoridade da chama da liberdade para a era de ouro de Aquário, permaneço nesta posição para libertar a luz do coração de Alfa e Ômega.

E, portanto, digo: chegou a hora. Que a poderosa espada seja lançada! E que haja a separação do caminho! E que aqueles que estão alinhados com as trevas sejam alinhados com as trevas e derrotados! E que aqueles que estão alinhados com a luz elevem-se na espiral da ressurreição até a vitória da era de ouro! Que a luz de dez mil sóis seja lançada! Que a luz resplandeça para dentro da Terra, resplandeça para dentro da Terra, resplandeça para dentro da Terra! Está confirmado.

Tal como a Palavra foi proferida outrora, "Escolhei hoje a quem sirvais", assim digo _ e falo às evoluções que evoluem sobre todo este corpo planetário - Escolhei a luz e vivei! Escolhei a luz e vivei para sempre no coração de Deus Pai/Mãe!

Falei-vos nesta hora e o propósito da minha vinda foi especificamente para liberar este poderoso raio. E considero uma honra e um privilégio estar perante um corpo de portadores de luz que compreende os maiores patriotas que esta nação jamais conheceu. Saúdo-vos no espírito da chama da liberdade, no espírito da Deusa da Liberdade que tornou esta nação grande e a tornará maior ainda!

Salve, luz vitoriosa! Salve, legiões da chama! Salve, filhos e filhas do Deus Altíssimo!


Ditado do Mestre Saint Germain

Retiro da Espiral da Ressurreição, Colorado Springs, Colorado - 21 de abril de 1973

sábado, 23 de outubro de 2010

O Mal


A primeira linha de defesa contra o anseio do mal é estar ciente de que ele existe.

"O homem justo que serve a Deus... está completamente ciente da batalha deflagrada pelo anseio do mal. [o anseio do mal é como] o ladrão que está no caminho [que conduz] à adoração a Deus. [O homem justo] está ciente do perigo, e está sempre alerta para evitar uma armadilha. Ele também sabe como avisar os outros do perigo que estes ladrões representam... Todavia, o homem mau... aprecia sempre os embustes do anseio do mal e diz: "Estou em paz __ não existe perigo neste mundo."

Os que estão cegos às armadilhas do anseio do mal são como as pessoas imprevidentes da Judéia, que foram embaladas pelos falsos profetas que proclamavam: __Paz, paz __ quando não havia paz. É isso que o anseio do mal murmura ao nosso ouvido quando nos tenta a sair da senda de união com o nosso Eu Superior.

"Quando uma pessoa vir que imaginações malignas a estão assaltando, deverá ocupar-se com a Torá e elas passarão... Sempre que o homem vai para a direita, a proteção do Ser Sagrado, bendito seja Ele, está sempre com ele e o Outro Lado não tem poder sobre ele. Este mal é humilhado perante ele e não pode dominá-lo. Mas quando a proteção do Ser Sagrado, bendito seja Ele, se afasta dele, por causa do seu apego ao mal, então este mal, vendo que ele está sem proteção, começa a controlá-lo imediatamente, e acaba por destruí-lo. Então é dada autoridade ao [mal] e ele leva a sua alma."


Por que Deus permite que o mal exista?

Vimos como o Zohar responde à questão: de onde vem o mal? Mas quando o mal emerge, por que Deus permite que ele exista?

Alguns cabalistas acreditam que em vez de destruir o mal imediatamente, Deus incumbe os justos de destruí-lo em seu nome. Segundo entendo, estamos no mundo inferior porque, em algum momento, em algum lugar, demos uma parte de nós mesmos ao Outro Lado. Deus manda-nos de volta para o mundo inferior para que possamos resgatar o carma que adquirimos quando permitimos que a luz das sefirot fosse roubada pelas forças da Din caída. O processo para transmutar o nosso carma precisa incluir a defesa da justiça e a luta contra o julgamento severo e desprovido de misericórdia.

O Zohar também ensina que Deus usa o mal para castigar os malvados e para testar a têmpera da nossa determinação de regressar à Árvore da Vida Eterna. Para ilustrar como Deus usa a inclinação maléfica para nos iniciar, o Zohar usa a alegoria de um príncipe que é posto à prova pelo pai. O rei manda que o seu único filho nunca se relacione com uma mulher má. Por causa do seu amor pelo pai, o filho aceita obedecer a vontade do pai. Um dia, o rei decide pôr o filho à prova. Manda vir uma linda sedutora para conquistar o príncipe.

Se o filho for digno e obediente às intruções do pai, diz o Zohar, ele irá censurá-la e mandá-la embora. Então o rei terá grande regozijo, convidará o filho para a câmara mais secreta do palácio e dar-lhe-á presentes e grandes honras. "Quem terá trazido toda essa glória sobre o filho"?, pergunta o Zohar. "A prostituda, sem dúvida!... Ela deveria ser louvada de todas as formas... porque permitiu que o filho ganhasse todo este bem e o amor profundo do rei."

Quando estiverem tentados a afastar-se da senda da probidade e a violar as leis de Deus em maior ou menor grau lembrem-se do rei, do príncipe e da prostituta. E lembrem-se que Deus tem o direito de nos pôr à prova, nós temos o direito de ser postos à prova e temos o direito de passar __ ou falhar __ em nossos testes.

O Zohar também cita as provas de Abraão e dos israelitas no Egito para mostrar que Deus usa o mal para testar e purificar os seus filhos.

"Abraão desceu ao "graus mais baixos" no Egito e sondou-os até o fundo, mas não se chegou a eles e voltou para o seu Mestre. Não foi seduzido por eles, como Adão, que chegou àquele nível e foi então seduzido pelas serpentes e trouxe a morte ao mundo. Nem foi seduzido como Noé, que se embebedou... Mas de Abrãao foi escrito: "E Abraão foi para o Egito" (Gn.13:1). Ele foi para cima e não para baixo e voltou ao seu palácio, para o nível mais alto a que se tinha ligado no princípio [isto é a sefirah Hesed (Amor), a primeira das sete sefirot inferiores]...

O mistério neste caso é o seguinte: Se Abraão não tivesse ido para o Egito e não tivesse purificado ali primeiro, ele não teria tido uma porção do Ser Sagrado, bendito seja Ele. O mesmo aconteceu com os seus descendentes: o Ser Sagrado, bendito seja Ele, desejou fazer deles um só povo, um povo perfeito, e trazê-los para junto de Si. Mas se eles não tivessem ido para o Egito primeiro e sido ali postos à prova, não teriam sido o povo escolhido de Deus."

Isaías Tishby diz que o ensinamento do Zohar sobre Abraão e a descida dos israelitas ao Egito significa que todos somos postos à prova e purificados por meio do nosso contato com o poder do mal. "Para alcançar a perfeição no seu desejo de servir a Deus, o homem precisa primeiro entrar no domínio do mal e purificar-se ali como num cadinho refinador". "Só depois disto poderá ascender ao nível do bem perfeito... O homem precisa provar a sua devoção a Deus lutando com o Seu adversário, e voltando vitorioso da batalha".


Texto extraído do livro: "Cabala - O Caminho da Sabedoria" de Elizabeth C.Prophet

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Atitudes


Tenho vivido dias de muita ansiedade e tensão por conta das eleições, e fico me perguntando qual será a postura ideal que devemos adotar nesses casos; calar ou lutar? Cada pessoa reage de uma forma diferente, e eu costumo reagir sempre com luta. Marte é um planeta dominante no meu mapa astral, mas isso não significa que eu saia por aí brigando por qualquer coisa. Não. A minha luta é no sentido de ir em busca daquilo que eu acredito. Não sou o tipo de pessoa que fica sentada esperando os milagres do céu. O céu, para mim, é o lugar que eu determinei que irei algum dia, mas não concordo com a atitude passiva de alguém achar que Deus deve simplesmente satisfazer as nossas vontades e necessidades sem que para isso faça alguma coisa.
Tudo que conquistei ao longo da vida foi com muito trabalho. Esse é o sentido da minha luta. Porém, assim como acertei muitas vezes, também errei, o que é perfeitamwente normal já que estamos aqui para aprender, mas aqueles que não me conhecem talvez tenham se decepcionado com minhas atitudes. Isso é ruim? Não sei.
Uma pessoa que me conhece há um mês, virtualmente, não pode medir os meus atos e muito menos julgá-los, e aqueles que me conhecem mais profundamente devem saber que eu sou uma pessoa de uma só palavra, uma só atitude. Jamais minto ou engano alguém. Quando gosto, quero, acredito, ou não, meus olhos revelam sempre a minha posição. Quando erro em relação à alguém ou alguma coisa, não tenho vergonha de pedir desculpas e corrigir meu erro.
Então por que estou sendo tão criticada e até mesmo agredida por pessoas tão queridas só porque estou lutando por aquilo que acredito? Não concordam com a minha forma de luta? Mas eu também posso não concordar com eles.
A verdade é que eu nunca farei nada com a intenção de agradar as pessoas, mas sim porque acredito nelas, e isso muitas vezes nos traz problemas e inimigos.
O que fazer? Sentar e esperar que a vida resolva os meus problemas? Sinceramente esta não sou eu.
Eu não estou aqui por acaso. Nasci, com a graça de Deus, para vencer todos os obstáculos, corrigir meus erros, aprender, compartilhar, lutar por meus ideais, amar, e quem sabe, através de toda experiência, crescer e elevar minha alma à Deus.
Tudo isso sou eu. Não tenho nada a esconder e nem do que me envergonhar. Só Deus tem o poder de me julgar e só à Ele eu temo.
Continuarei lutando, sempre, e só saberei se agi certo ou errado, quando meu Pai me julgar
.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No Deserto da Judéia



No Deserto da Judéia

"Será que Jesus se importa com o meu coração quando está por demais sofrido e não consigo me alegrar ou cantar, quando os fardos pesam, os cuidados me debilitam e o caminho fica cada vez mais árduo e longo?" São essas as palavras de Frank E. Graeff após horas terríveis de depressão e desânimo. Para responder bem à sua pergunta, precisamos consultar a palavra de Deus.

A Natureza Humana de Jesus

Filipenses 2:6-7 afirma-nos que, mesmo Jesus sendo igual a Deus, ele se esvaziou. Assim como o homem tem os cinco sentidos e pode decidir suprimir todos, Jesus escolheu abrir mão de todos os direitos e privilégios de sua divindade ao se fazer homem. Portanto, ficou sozinho no deserto com Satanás na qualidade de homem, como você e eu ficamos diante dele diariamente.

A Tentação de Jesus
A época exata das tentações é importante. Foi imediatamente após o seu batismo e a sua unção pelo Espírito Santo, que desceu do céu. Como é comum, a tentação vem após alguma das nossas maiores vitórias e mais emocionantes experiências. Seu ministério estava por começar, mas não podia se desenvolver sem que certos aspectos fundamentais fossem postos à prova.

A primeira tentação: "Se és Filho de Deus" (Mateus 4:3). Satanás queria que o nosso Senhor duvidasse do Pai. Ele desejava que Jesus duvidasse das palavras que tinha acabado de ouvir às margens do rio: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo". "Se você é o Filho de Deus, não deve passar por este jejum; por que não simplesmente utiliza seus poderes miraculosos para transformar estas pedras em pães?" são as palavras do tentador. Se alguma vez você se perguntou: "Senhor, por que eu?" ou pensamos: "Na verdade ele não quer que eu sofra assim, quando há uma saída fácil", você deve então saber que ele foi tentado como nós, em todas as coisas.

A segunda tentação: Mateus 4:6. Ele está morrendo de fome no deserto, e o tentador lhe pressiona ainda mais. Ao passo que a primeira tentação foi um sussurro manso S "Se és Filho de Deus" S nessa segunda, a intensidade da voz do diabo chega a um nível fervoroso: "Duvide, duvide, duvide, quando ele diz novamente: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo". Se por um instante o Senhor tivesse deixado de confiar no amor e no compromisso do Pai para com ele, ele poderia ter operado o milagre, os anjos teriam o levado e ele teria reafirmado o seu relacionamento com o Pai, para ele mesmo e para todos os outros. Afinal de conta, ele realmente ouviu Deus dizer: "Este é o meu Filho amado"? Em João 12:28-29, quando Deus falou, alguns pensaram que fosse um trovão. Assim a operação do milagre mostraria uma dúvida do compromisso do Pai para com ele do tamanho suficiente para destruir sua fé no Pai.

A terceira tentação: "Tudo isto te darei [todos os reinos do mundo] se, prostrado, me adorares" (Mateus 4:9). Se você duvidar do seu relacionamento com o Pai, você precisará prover a presença dele com você através de um ministério com sucesso. Ele veio salvar os cidadãos dos reinos do mundo, mas tinha de acontecer de modo que o Pai fosse glorificado, não Satanás. O sucesso não é nenhum indicativo da presença de Deus. Jeremias pregou 50 anos e Ezequiel pregou 20, sem nenhuma conversão. Aqui, o tentador deseja usar a dúvida semeada nas duas primeiras tentações para fazer com que ele procure outro método além daquele que glorifica o Pai.
Para concluir, a essência das tentações era que a vontade de Deus fosse "exagerada e injusta". Jesus era bom demais para sofrer os horrores do planeta seco, empoeirado e árido. Satanás repetia-lhe vez após vez: "Deus tem um plano melhor para a sua vida do que o sofrimento que você está passando, e há um jeito fácil de escapar". A lição que o Senhor quer que aprendamos com tudo isso é simplesmente esta: Não importa quão escura a noite, quão solitária a alma ou quão intenso o sofrimento: "Confie em mim e não duvide do meu amor". Quando e se conseguirmos que toda essa reflexão seja gravada em nossa mente, poderemos responder à pergunta: "Jesus se importa?" com a letra do cântico que bem responde: "Sim, ele está preocupado conosco. Eu sei que está, seu coração está tocado por minha tristeza; quando os dias estão desanimadores e as noites deprimentes, eu sei que meu Salvador cuida de mim".

- por Rodney M. Miller
http://www.estudosdabiblia.net/a12_3.htm


Dia após dia em nossas vidas, somos tentados por Satanás, empurrando-nos a praticar todo tipo de iniqüidades. O homem vive na Terra para elevar sua alma à Deus, e não pode esquecer-se disto.

Durante minhas orações à amada Mãe Maria, invocando ajuda dos céus para nos libertar das trevas sinalizadas claramente pelo programa do Partido da estrela vermelha em nosso país, vi, entre lágrimas, nosso amado Mestre Jesus sendo tentado no deserto por esta figura que representa todos os males do mundo.

Estamos vivendo momentos de escolhas definitivas. O mundo vive suas dores de parto para fazer emergir um novo mundo. E nós, dentro do mundo maior, participamos deste movimento através das nossas escolhas. O Brasil, esse gigante adormecido em berço esplêndido está sendo chamado à luta para nos trazer a liberdade, a prosperidade, o progresso, mas, como todos nós enfrentamos neste momento a solidão do deserto e da tentação, precisamos cuidar para que a Luz prevaleça.

Muitos “tesouros” estão sendo mostrados a cada um de nós com o selo da estrela vermelha, mas precisamos lutar contra a fome, a sede e a dor que anestesia nosso raciocínio, porque, para vencermos esta luta, devemos confiante e bravamente dizer NÃO à tentação.

Nenhum tesouro que possamos “ganhar” neste mundo, terá o poder de envolver nossas almas na Luz, de satisfazer nossas necessidades. É tudo obra da ilusão. É tudo mentira.

Precisamos “Orar e Vigiar” para podermos ouvir a Voz de Deus em nossos corações, resistirmos à tentação e manifestar a Vitória da Luz através de nossas escolhas.

Somente Deus/Pai/Mãe pode nos oferecer e dar o maior tesouro que uma alma pode desejar. A Luz.

sábado, 25 de setembro de 2010

Pátria amada!


Tenho repetido inúmeras vezes para o meu coração: "Paz, aquieta-te!"


Canto esta canção até cansar e sentir meu coração mais leve. Busco na Luz Divina da minha amada Mãe Maria, a tranquilidade necessária para viver estes momentos tensos e poder ter o discernimento para enxergar com os olhos do espírito, o caminho certo a seguir.


Se já não bastassem os problemas e preocupações pessoais, sinto a tensão aumentar a cada dia com a proximidade das eleições. Vivi a minha vida inteira lutando por meus ideais, acreditando na justiça e lutando por ela, acreditando e contribuindo com o melhor de mim para termos um governo justo, honesto, que respeitasse o povo e lhe troxesse a prosperidade. De repente vejo grande parte do meu povo iludido por mentiras, sem ter ao menos a curiosidade de buscar informações em fontes seguras, deixando-se levar como que hipnotizados por uma voz que negou todas as suas promessas, pelo simples desejo de enaltecer cada vez mais o seu ego já tão inflado e implantar no nosso solo tão gentil, o comunismo já tão fora de propósito, descartado até no seio de seus defensores mais ferrenhos.


Que triteza! Como dói ver tantas lutas perdidas, sem poder sonhar com dias melhores, dias de progresso verdadeiro, onde todos possam através da democracia plena exercer sua liberdade de pensar, sentir, falar, manifestar e viver em abundância!


Lembro do meu pai quando falava da 2ª Guerra Mundial, na qual lutou e onde perdeu amigos e ilusões. Ele sempre deixava transparecer sua mágoa e revolta por ter sido iludido e ter participado de uma luta desigual, onde brasileiros cheios de patriotismo mas sem preparo para a guerra, caminhavam na linha de frente como "bucha de canhão". Nossos pracinhas lutaram numa terra estranha, congelados pela neve, voando pelos ares ao pisarem nas minas terrestres e quando voltaram para casa, precisaram LUTAR para conseguirem sobreviver. Demorou anos para que eles conseguissem um reconhecimento do governo por seus feitos na Itália. Nunca mais meu pai acreditou em promessas.


E eu me pergunto: Será que teremos que servir de "bucha de canhão" em nossa própria casa para despertar do sono letárgico que acomete o povo brasileiro, e enxergar a realidade podre disfarçada de democracia que estamos vivendo? Será que teremos que voar pelos ares e somente ao cair no chão nos darmos conta de que fomos enganados? Será que não há um outro jeito de despertar esse gigante adormecido em berço esplêndido e fazê-lo lutar por sua mãe gentil?


Tenho vontade de gritar: ACORDA BRASIL! OUÇA O BRADO RETUMBANTE QUE TE CHAMA À LUTA PARA LIBERTAR NOSSA PÁTRIA AMADA E TÃO GENTIL!

DESPERTA DA ILUSÃO, POVO BRASILEIRO!